sábado, 24 de abril de 2010

Corredeiras do Tempo

A vida é um eterno processo de transformação.
O escultor recria, a rocha ganha formas; o pintor
transfere o sopro da beleza para as telas;
o músico rompe o silêncio com a suavidade dos sons;
e o poeta sonha que pode voar,
planar entre as nuvens, renascer em cada ponto,
povoar a terra com os seres que nascem de suas fantasias.


A ampulheta está partida,
a areia escorre,
mistura-se a poeira dos séculos,
não mais importam minutos, horas.
A vida abandona o futuro,
mergulha no passado.

Construir uma ponte, transpor os despenhadeiros
do desconhecido e descobrir que a viagem
é veloz, breve, e que a estrada tem
começo e fim; no meio, curvas sinuosas,
muitas curvas, e o vazio da solidão.

"Corredeiras do tempo"
Guido Fidelis

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