sábado, 21 de março de 2020


Após um bom tempo sem escrever por aqui, decidi voltar a publicar meus textos.
@aninhaapolinario


Um bom momento para reflexão
Conversei sobre a pandemia coronavírus com o meu irmão, e esse papo me inspirou escrever esse texto.

A morte é a única certeza nessa caixinha de surpresa(kinder ovo) que é a vida, então até lá eu quero viver, mudar, amadurecer, cair, levantar, ter mais calma, aprender, ensinar, superar, chorar, amar cada vez mais, ouvir mais a minha intuição, administrar melhor o meu tempo, ter mais tempo pro lazer, viajar mais, ser mais presente na vida da minha afilhada Dessax, curtir cada vez mais o meu filho, ser amorosa e comprometida com quem escolhi para estar ao meu lado, continuar encontrando todos os sábados o meu irmão que amo tanto para beber uma taça de vinho, ele que foi, é e sempre será a minha melhor referência e o meu amigo de verdade, aquele que apoia, puxa a orelha, ajuda, torce e vibra junto comigo e com as minhas conquistas, quero continuar curtindo muito a minha família, os meus amigos, colegas, clientes, vizinhos, enfim as pessoas especiais que cruzam o meu caminho por algum motivo e fico feliz que algumas decidem permanecer nele. 

Quero ser Mulher Água...como disse Cora Coralina, poeta/poetisa genial, no poema homem água/homem
https://www.youtube.com/watch?v=WyP5qmk962I
 
Fico pensando com essa onda de coronavírus, a maioria das pessoas em casa, menos transporte públicos, comércio totalmente fechado, e que só as farmácias, hospitais e supermercados abrirão. 

Que foi preciso esse silêncio para que na sequência exista algum som que soe um pouco menos acelerado e que seja possível respeitar um pouco mais a nossa casa, nosso planeta.

Espero que consigam ter a certeza de que o dinheiro não é tudo nessa vida ! 

E que seja possível superarmos logo essa pandemia. 

E como divulgou o greenpeace: - Quando a última árvore tiver caído, quando o último rio tiver secado, quando o último peixe for pescado, vocês vão entender que dinheiro não se come @greenpeace

Imagino o quão pequena a maioria das pessoas que vivem atrás do dinheiro devem estar se sentindo...não adianta ter somente dinheiro. Não poder sair de casa pra gastar, não poder comprar nada pela internet e não ter nenhum ser humano, nenhum profissional, pra entregar o pedido. Vamos parar e pensar na febre desenfreada do consumismo !

Estamos no mesmo barco. Essa pandemia veio pra ensinar muita gente, que precisamos um do outro, que não é possível fazermos nada sozinhos. Até para vir ao mundo e partir desse mundo precisamos do outro. 

É preciso parar, olhar e realmente enxergar o outro, dar um bom dia, boa tarde e uma boa noite. Dizer obrigada, se desculpar e ser mais gentil.

Precisamos ter mais amor, serenidade, empatia, afeto, solidariedade, humildade e reciprocidade. Precisamos elogiar mais, valorizar o outro e o serviço dele também, cada profissional é importante no serviço que faz.
 
Precisamos ouvir mais nossa criança interior ;)

Chega de ódio, de perseguição, de fofocas, parem de inventar histórias, de cuidar da vida do outro, enxergue o que a pessoa possue de melhor. Respeite o mundo de cada um. 

Ninguém é melhor que ninguém, talvez alguns consigam mais oportunidades e recursos que os outros, mas todos erram, acertam, sofrem, sentem, e como canta o Frejat todo mundo é parecido quando sente dor. @frejatoficial

Que seja possível uma conscientização, uma reflexão, mais amor no mundo, resiliência, ressignificação e um amadurecimento coletivo. 

Que seja possível observar e cuidar melhor do nosso planeta.

Me considero um ser humano carne e osso, e tenho certeza de que nunca agradaremos a tudo e a todos, então aproveite essa pausa para se ouvir, se respeitar, rir, descansar, ouvir a sua alma, ligar para alguém que sente saudade, curtir a sua casa, seu pet ou escolher uma parte do dia para não fazer nada, por que não ?

Aproveite esse tempo só seu para fazer novas escolhas, pra se inspirar em novos caminhos, pra fazer um balanço do que realmente é importante na sua vida e de quem é realmente importante na sua vida, aquela pessoa que realmente se importa com você, não com o seu sobrenome, cargo ou sua conta bancária.

Invista mais em você, tenha mais qualidade de vida, curta os pequenos prazeres da vida, inclua + programas com amigos, natureza, lazer, músicas, arte urbana, poemas, poesias, artes, biografias, autobiografias, filmes e documentários em sua Invista mais no belo ! 

Não viva de aparências. Siga o seu coração.
 
Seja a sua melhor companhia !


Por favor fiquem em casa, a natureza, os animais, o próximo e o planeta agradecem. Só com essa pausa, já foi possível purificar um pouco o ar, evitar cortes das árvores, enfim finalmente um ciclo positivo.

Que ironia do destino, antes dessa pandemia éramos livres, mas todos ficavam conectados no mundo virtual e agora estamos presos em nossas próprias casas, lidando com nossa vida real, aos poucos detestando a vida virtual e desejando nossa liberdade de volta. Ana Apolinário - instagram: @aninhaapolinario - Facebook: aninhaapolinario
 

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quarta-feira, 28 de agosto de 2019

Por Guimarães Rosa

“O correr da vida embrulha tudo,
a vida é assim: esquenta e esfria,
aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta.
O que ela quer da gente é coragem.

O que Deus quer é ver a gente
aprendendo a ser capaz
de ficar alegre a mais,
no meio da alegria,
e inda mais alegre
ainda no meio da tristeza!

A vida inventa!
A gente principia as coisas,
no não saber por que,
e desde aí perde o poder de continuação
porque a vida é mutirão de todos,
por todos remexida e temperada.

O mais importante e bonito, do mundo, é isto:
que as pessoas não estão sempre iguais,
ainda não foram terminadas,
mas que elas vão sempre mudando.

Afinam ou desafinam. Verdade maior.
Viver é muito perigoso; e não é não.
Nem sei explicar estas coisas.
Um sentir é o do sentente, mas outro é do sentidor.”

Fonte Revista Pazes
https://www.revistapazes.com/rosa-vida-coragem/

sexta-feira, 27 de abril de 2018

Pipoca por Rubem Alves

pipoca
Rubem Alves

A culinária me fascina. De vez em quando eu até me até atrevo a cozinhar. Mas o fato é que sou mais competente com as palavras do que com as panelas.

Por isso tenho mais escrito sobre comidas que cozinhado. Dedico-me a algo que poderia ter o nome de "culinária literária". Já escrevi sobre as mais variadas entidades do mundo da cozinha: cebolas, ora-pro-nobis, picadinho de carne com tomate feijão e arroz, bacalhoada, suflês, sopas, churrascos.

Cheguei mesmo a dedicar metade de um livro poético-filosófico a uma meditação sobre o filme A Festa de Babette que é uma celebração da comida como ritual de feitiçaria. Sabedor das minhas limitações e competências, nunca escrevi como chef. Escrevi como filósofo, poeta, psicanalista e teólogo — porque a culinária estimula todas essas funções do pensamento.

As comidas, para mim, são entidades oníricas.

Provocam a minha capacidade de sonhar. Nunca imaginei, entretanto, que chegaria um dia em que a pipoca iria me fazer sonhar. Pois foi precisamente isso que aconteceu.

pipoca, milho mirrado, grãos redondos e duros, me pareceu uma simples molecagem, brincadeira deliciosa, sem dimensões metafísicas ou psicanalíticas. Entretanto, dias atrás, conversando com uma paciente, ela mencionou a pipoca. E algo inesperado na minha mente aconteceu. Minhas idéias começaram a estourar como pipoca. Percebi, então, a relação metafórica entre a pipoca e o ato de pensar. Um bom pensamento nasce como uma pipoca que estoura, de forma inesperada e imprevisível.

pipoca se revelou a mim, então, como um extraordinário objeto poético. Poético porque, ao pensar nelas, as pipocas, meu pensamento se pôs a dar estouros e pulos como aqueles das pipocas dentro de uma panela. Lembrei-me do sentido religioso da pipoca. A pipoca tem sentido religioso? Pois tem.

Para os cristãos, religiosos são o pão e o vinho, que simbolizam o corpo e o sangue de Cristo, a mistura de vida e alegria (porque vida, só vida, sem alegria, não é vida...). Pão e vinho devem ser bebidos juntos. Vida e alegria devem existir juntas.

Lembrei-me, então, de lição que aprendi com a Mãe Stella, sábia poderosa do Candomblé baiano: que a pipoca é a comida sagrada do Candomblé...

pipoca é um milho mirrado, subdesenvolvido.

Fosse eu agricultor ignorante, e se no meio dos meus milhos graúdos aparecessem aquelas espigas nanicas, eu ficaria bravo e trataria de me livrar delas. Pois o fato é que, sob o ponto de vista de tamanho, os milhos da pipoca não podem competir com os milhos normais. Não sei como isso aconteceu, mas o fato é que houve alguém que teve a idéia de debulhar as espigas e colocá-las numa panela sobre o fogo, esperando que assim os grãos amolecessem e pudessem ser comidos.

Havendo fracassado a experiência com água, tentou a gordura. O que aconteceu, ninguém jamais poderia ter imaginado.

Repentinamente os grãos começaram a estourar, saltavam da panela com uma enorme barulheira. Mas o extraordinário era o que acontecia com eles: os grãos duros quebra-dentes se transformavam em flores brancas e macias que até as crianças podiam comer. O estouro das pipocas se transformou, então, de uma simples operação culinária, em uma festa, brincadeira, molecagem, para os risos de todos, especialmente as crianças. É muito divertido ver o estouro das pipocas!

E o que é que isso tem a ver com o Candomblé? É que a transformação do milho duro em pipoca macia é símbolo da grande transformação porque devem passar os homens para que eles venham a ser o que devem ser. O milho da pipoca não é o que deve ser. Ele deve ser aquilo que acontece depois do estouro. O milho da pipoca somos nós: duros, quebra-dentes, impróprios para comer, pelo poder do fogo podemos, repentinamente, nos transformar em outra coisa — voltar a ser crianças! Mas a transformação só acontece pelo poder do fogo.

Milho de pipoca que não passa pelo fogo continua a ser milho de pipoca, para sempre.

Assim acontece com a gente. As grandes transformações acontecem quando passamos pelo fogo. Quem não passa pelo fogo fica do mesmo jeito, a vida inteira. São pessoas de uma mesmice e dureza assombrosa. Só que elas não percebem. Acham que o seu jeito de ser é o melhor jeito de ser.

Mas, de repente, vem o fogo. O fogo é quando a vida nos lança numa situação que nunca imaginamos. Dor. Pode ser fogo de fora: perder um amor, perder um filho, ficar doente, perder um emprego, ficar pobre. Pode ser fogo de dentro. Pânico, medo, ansiedade, depressão — sofrimentos cujas causas ignoramos.Há sempre o recurso aos remédios. Apagar o fogo. Sem fogo o sofrimento diminui. E com isso a possibilidade da grande transformação.

Imagino que a pobre pipoca, fechada dentro da panela, lá dentro ficando cada vez mais quente, pense que sua hora chegou: vai morrer. De dentro de sua casca dura, fechada em si mesma, ela não pode imaginar destino diferente. Não pode imaginar a transformação que está sendo preparada. A pipoca não imagina aquilo de que ela é capaz. Aí, sem aviso prévio, pelo poder do fogo, a grande transformação acontece: PUF!! — e ela aparece como outra coisa, completamente diferente, que ela mesma nunca havia sonhado. É a lagarta rastejante e feia que surge do casulo como borboleta voante.

Na simbologia cristã o milagre do milho de pipoca está representado pela morte e ressurreição de Cristo: a ressurreição é o estouro do milho de pipoca. É preciso deixar de ser de um jeito para ser de outro.

"Morre e transforma-te!" — dizia Goethe.

Em Minas, todo mundo sabe o que é piruá. Falando sobre os piruás com os paulistas, descobri que eles ignoram o que seja. Alguns, inclusive, acharam que era gozação minha, que piruá é palavra inexistente. Cheguei a ser forçado a me valer do Aurélio para confirmar o meu conhecimento da língua. Piruá é o milho de pipoca que se recusa a estourar.

Meu amigo William, extraordinário professor pesquisador da Unicamp, especializou-se em milhos, e desvendou cientificamente o assombro do estouro da pipoca. Com certeza ele tem uma explicação científica para os piruás. Mas, no mundo da poesia, as explicações científicas não valem.

Por exemplo: em Minas "piruá" é o nome que se dá às mulheres que não conseguiram casar. Minha prima, passada dos quarenta, lamentava: "Fiquei piruá!" Mas acho que o poder metafórico dos piruás é maior.

Piruás são aquelas pessoas que, por mais que o fogo esquente, se recusam a mudar. Elas acham que não pode existir coisa mais maravilhosa do que o jeito delas serem.

Ignoram o dito de Jesus: "Quem preservar a sua vida perdê-la-á".A sua presunção e o seu medo são a dura casca do milho que não estoura. O destino delas é triste. Vão ficar duras a vida inteira. Não vão se transformar na flor branca macia. Não vão dar alegria para ninguém. Terminado o estouro alegre da pipoca, no fundo a panela ficam os piruás que não servem para nada. Seu destino é o lixo.

Quanto às pipocas que estouraram, são adultos que voltaram a ser crianças e que sabem que a vida é uma grande brincadeira...

"Nunca imaginei que chegaria um dia em que a pipoca iria me fazer sonhar. Pois foi precisamente isso que aconteceu". 


O texto acima foi extraído do jornal "Correio Popular", de Campinas (SP), onde o escritor mantém coluna bissemanal.

Rubem Alves: tudo sobre sua vida e sua obra em "Biografias".

domingo, 8 de abril de 2018

04 contas no Instagram

Conta @o_lixo_e_nosso_SOSO Lixo não é seu, o lixo é nosso_SOS 
https://www.instagram.com/o_lixo_e_nosso_SOS/
Preocupada com a produção de lixo no mundo, principalmente descartados nas praias pois machucam e matam animais marinhos

Conta pessoal: @aninhaapolinario
https://www.instagram.com/aninhaapolinario/
Contato humano, ♻️, natureza, 🎨, crianças,🌎arte urbana, ❤️, animais, 🌙e música. 

Ilustres invisíveis @ilustresinvisiveis
https://www.instagram.com/ilustres_invisiveis/ 

Registros fotográficos que pretendem fazer com que os moradores de rua sejam notados e suas histórias emerjam como experiências relevantes que possam ser compartilhadas resgatando a identidade e promovendo a dignidade destes nossos semelhantes. 

Aninha Apolinário Musical - @aninhaapolinariomusical - Granada Musik
https://www.instagram.com/aninhaapolinariomusical/ 
Criação/Produção institucionais, animatic, narramatic, games, ura, internet, ooh, etc. casting/orçamentos aninha.apolinario@granadamusik.com.br  
vimeo.com/user76093080





quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

JR Artist by Rebecca Tribble


I am reaching out to certain website and blog owners that publish content in line with our mission to make all the world’s art accessible to anyone. We hope to continue promoting arts education and accessibility with your help.

Our JR page provides visitors with JR's bio, over 70 of his works, exclusive articles, and up-to-date JR exhibition listings. The page also includes related artists and categories, allowing viewers to discover art beyond our JR page.

Best,
Rebecca Tribble

"What we see changes who we are."
-JR

http://www.artsy.net 

Piper - This movie, Piper, has won an oscar for the best animated short film, fonte AB News & Amp viral videos