segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Cordas

Por um mundo repleto de Marias

Mais uma homenagem a Maria Villar Galaz, uma amiga e uma sobrinha muito especial  <3 br="">


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Esse vídeo é genial !
 
https://www.youtube.com/watch?v=QUhmfeR9OZc

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Onde colocar o sal

ONDE COLOCAR O SAL
“O velho Mestre pediu a um jovem triste que colocasse uma mão cheia de sal em um copo d'água e bebesse.
Qual é o gosto? - perguntou o Mestre.
Ruim - disse o aprendiz.
O Mestre sorriu e pediu ao jovem que pegasse outra mão cheia de sal e levasse a um lago.
Os dois caminharam em silêncio e o jovem jogou o sal no lago.
Então o velho disse: - Beba um pouco dessa água.
Enquanto a água escorria do queixo do jovem o Mestre perguntou: - Qual é o gosto?
- Bom! Disse o rapaz.
- Você sente o gosto do sal? Perguntou o Mestre.
- Não… - disse o jovem.
O Mestre então, sentou ao lado do jovem, pegou em suas mãos e disse:
- A dor na vida de uma pessoa não muda. Mas o sabor da dor depende de onde a colocamos.
Quando você sentir dor, a única coisa que você deve fazer é aumentar o sentido de tudo o que está a sua volta.
É dar mais valor ao que você tem, do que ao que você perdeu.
Em outras palavras: É deixar de Ser copo para tornar-se um Lago. 
Somos o que fazemos, mas somos principalmente, o que fazemos para mudar o que somos… ”
Fonte Eneida Fausto via Facebook

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Cássio Zanatta - Joaninha no Hospital - The São Paulo Times


Joaninha no hospital

Internado no hospital para uma pulsoterapia. O nome dá aquela assustada mas a coisa é tranquila: três horas de cortisona na veia. Tudo a fazer é esticar o braço, o pessoal da enfermagem punciona a veia e daí é ficar deitado e deixar a medicação pingar devagar. E devagar é comigo mesmo.
Nada para fazer tem seu valor. A parte chata: assim que a gente cochila, vem alguém e acorda para algum procedimento. E a ausência de janela. A parte boa: todo o tempo do mundo para ler Manoel de Barros. Poucas coisas no mundo são tão contraditórias quanto sala de hospital e página de Manoel (olha a intimidade). Um pede silêncio, o outro grita; um tenta conter a gente, o outro, desconter de vez.
Entre uma tomada de pressão e outra de glicemia, leio um poema para a enfermeira, moça séria de competência e comportamento. Ela ouve muito da atenta e põe a mão no queixo, deixando escapar um “mas, olha, que coisa…”
Recebida a poesia, ela se transforma, acende, sai pelo corredor matraqueando e rindo de boba. Recita para outra enfermeira um verso que fala de joaninha. Diz à colega que adora quando uma delas aparece – e eu fico pensando que joaninha só entra em hospital pela poesia. Eis Manoel de Barros, ignorando crachás, pulando as catracas e driblando os seguranças.
Há cinco pessoas internadas na minha sala. Duas senhorinhas meio caladas, um senhor que não tira o olho da TV, eu e Manoel de Barros. O poeta é quem mais fala, fala pelos cotovelos, canta a enfermeira, batuca na maca, fala de joaninha e de pisar no barro. Se joaninha está proibida em hospital, barro, então, é motivo de sirene e camisa de força.
Uma das senhoras assobia um antigo bolero. A outra olha feio para ela, como se o olhar dissesse: endoidou, assobiar em hospital?
A outra olha de volta como se respondesse: justo por isso, assobiar me faz sair voando pela janela que não existe, de volta ao baile de Reveillon em 1956, onde dancei bolero com Ademir pela primeira vez. É possível que tenha sido efeito de joaninha de que falava Manoel, as coisas são muito impressionantes nesse mundo.
O pinga-pinga está acabando. Só mais um tempo para reparar na cor da parede. Sou do tempo em que hospital era todo branco. Agora, é de um verde meio desanimado, envergonhado, como se aquele não fosse lugar de cor estar. Se joaninha fosse toda branca com patas brancas e bolinhas brancas, deixariam a bichinha entrar?
Vou largar esse livro na cozinha do hospital, como quem esqueceu. Não se ofenda, Manoel, não é pouco caso, é semeadura.
Para ver se o cozinheiro se rende, tem compaixão dos internos e lasca sal nesse peixe, salpica umas alcaparras, quem sabe até molho de camarão e uma pimentinha para dar graça.
Talvez o paciente não resista aos excessos e morra – é possível, tudo nessa vida é possível. Mas Manoel de Barros está aí para provar que a morte não pode tudo, nem em hospital. Contra poesia, joaninha, pimenta e o iluminar da enfermeira que continua a rir na sala ao lado, a morte pode nadica de nada. E não respira nem com a ajuda de aparelhos.
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Cássio Zanatta é natural de São José do Rio Pardo, o que explica muita coisa. Escreve crônicas há um bom tempo – convenhamos, já estava na hora de aprender. © 2014.

quinta-feira, 2 de julho de 2015